Logo se formou uma espécie de guarda compartilhada do vira-lata. A "mãe", a fisioterapeuta e instrutora de pilates Silvia Rothfeld, 44 anos, encarrega-se de que nada falte ao pet. A aluna Gicelda Weber Silveira, 60 anos, virou madrinha, e leva o cão para casa nos feriadões. Tem outros clientes que eiam com ele, arranjam-lhe ração, pagam o banho mensal. E Eunice, que ganhou o posto de madrasta, foi dissuadida da intenção de entregar o cachorro.
– A ideia inicial era de que ele fosse adotado rapidinho, mas ele foi conquistando o espaço dele rapidinho também – ri a empresária.
E olha que o maior argumento a favor da campanha "fica, Marley" não foi dito em palavras:
– Parece que ele te agradece todo o dia pelo olhar – conta.
Marley foi ensinado a não entrar na sala de pilates para não atrapalhar as aulas: ele fica assistindo tudo em uma poltrona colocada na porta dos fundos. Vez que outra lhe dá um rompante de alegria e sai pulando feito louco pelo quintal.
– É só excesso de felicidade – explica Gicelda.
A "dinda" conta que o Marley que chegou quietinho à academia e só fez dormir durante três dias, nem parece o mesmo de hoje. Acredita que ele foi se animando à medida que conhecia o que é carinho e atenção, e destaca o quão positivo seria, para animais e humanos, se o exemplo de Marley servisse de inspiração em outras empresas:
– Adotar um animal traz um ótimo astral: a gente ri, comenta as coisas dele. E tem tantos cachorros que precisam de lar...